sábado, 23 de agosto de 2008

Como Greta Garbo



marilyn by andy warhol




Ontem depois de deixar Nana na escola, eu vi Marilyn Monroe trabalhando na avenida. Foi um pesadelo. Não sou tão velho assim mas a loira ainda foi um dos meus sonhos. Quando morreu, eu ainda garoto, a midia tratou de refazê-la, lançando e relançando seus filmes. Era inegavelmente linda. Gosto especialmente de seu ultimo filme, com Clark Gable. Depois do caso com o presidente de "lá", então, ficou mundialmente famosa. E parece que congelaram sua imagem com aquele vestido branco, esvoaçando sobre um exaustor de passeio de rua. Pois foi com aquele mesmo vestido que ela estava ontem, perto do viaduto D.Canô, segurando uma bandeira do lançamento de algum empreendimento imobiliário por ali. Não consegui ver o nome do edifício devido ao choque de vê-la. Estava um caco. O vestido, derrubadinho, tão sujo que não se levantava nem para refrescar-lhe a xota. A peruca, sim, era uma peruca, tão vagabunda que mal lhe cobria os verdadeiros cabelos negros. Coitada, suava em bicas debaixo de uma lua cheia de meio-dia baiano e tive a impressão rápida, por certo, de ver os olhos borrados. Cara de ressaca. O acompanhante, de smoking, lhe fazia par ( seria o Clark?), tão derrubado quanto ela, com o fato certamente alugado ou pertencente a outro, pois a gola lhe sobrava por demais, como a gola de um palhaço. Segurava bandeira semelhante. Triste cena. Se os contrataram para anunciar algum imóvel granfino, pelo traje que usavam, valeu aos dois receberem seu dinheirinho suado, mas honesto. Só me entristece saber que meus ídolos, Clark Gable e Marilyn Monroe, quem diria, acabaram na Paralela.

10 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Ah! primo... Marylins frequentam também o cruzamento da Garibaldi com Vasco - juro que vi vento bater e como a coitadinha nem sabe o que está representando garrou a saia e o momento não se repetiu. Ali também ficam rapazes vestidos de porteiros de prédio de cinema americano. Para eles, para os "fiscais de placa de candidato" e tantos e tais eu olho tristemente e sozinha no carro digo como Pedro Borges diria: "Dolorosos aspectos da luta pela sobrevivência"

Edu O. disse...

Cazuza gritava "Meus heróis morreram de overdose e os meus inimigos estão no poder"
Dói saber que os inimigos fantasiam Chaplins do que nem conhecem, fingindo uma vida que nunca tiveram e ainda seguram bandeira de algum lugar que nunca poderão entrar. Quem sabe como Alice se cairem num buraco ou como Robin Hood que com certeza acabará atrás das grades, porque os Capitães Gancho se apoderaram de nosso tesouro.

Judith disse...

O mesmo sentimento nós todos temos. Passo por eles nas sinaleiras e morro de dó. Um sol escaldante, asfalto escaldante, às vezes chuva.
Pego tantos folhetos quanto posso, para, quem sabe, livres deles, possam todos ir para casa descansar.
Eu jamais empregaria alguém para fazer isso...

aeronauta disse...

Conte, Bernardo, sobre os silêncios do interior... Quero muito ouvir.

Luli Facciolla disse...

Coitada... Deu até calor!


Muitos beijos!

Marcus Gusmão disse...

Caro primo da Maria,
Vi o casal pela primeira vez no foyer do teatro Módulo, distribuindo o tal folheto. Pensei que era o programa e aquilo fosse arte de Fernando Guerreiro. Depois os vi várias vezes também no calor e na chuva das sinaleiras. Pelo menos não me assustaram, como a fileira de uns duzentos covers da guarda britânica, perfilados dos dois lados da sinaleira da Garibaldi, torrando no calor para fazer as honras e seduzir novos ricos carentes de realeza. O susto foi grande, porque pensei que era mais uma blitz da SET para me flagrar com meu IPVA 2004, que se Deus quiser só pago quando Forrest John se picar.
Bacana este seu olhar "estrangeiro" nesta visita à Bahia. O texto sobre Ivete fez sucesso aqui em casa.

Palavras e co-lirius disse...

Meu, caí nesse blog de ousado como peixe faminto por leituras boas, mas num é que fui visgado, menino? Parabéns por boas reflexões que me proporciona.
Nilson

anjobaldio disse...

Muito bom.

Renata Belmonte disse...

Grande texto, Bernardo. E obrigada pela visita, sinta-e em casa.
Abraços,
Renata

Meninha disse...

Só você mesmo...

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas