sábado, 11 de outubro de 2008

Ídolos II


Sou tiete de José Carlos Capinan e quando alguém se transforma em ídolo, é temerário o encontro entre o deus e o adorador. Foi assim quando encontrei Maria Bethânia: travei, abestalhei, babei e jurei nunca mais encontrá-la. Com Caetano foi diferente, ele se aproximou, pediu um cigarro e me perguntou sobre a baía de Camamu, como se ele fosse uma pessoa normal e não um deus; não tive tempo de tremer porque ele nem parecia um deus. Fiquei mais fã ainda. Pois um belo dia eu estava de boreste em Nilo e a diretora do ginásio me convidou para participar de um evento cultural no dia seguinte. Eu participaria de uma mesa, ao lado de Capinan e falaria de "Cultura Regional e Oralidade", além de apresentar meu livro Morte Abjeta. Como assim falar de cultura com Capinan ao meu lado? Só se ele falasse de Esquistossomose, mas depois me dei conta de que ele também é médico, e foi meu contemporâneo, a quem via de longe, com medo dele me lançar um raio. Quanto ao meu livro, foi fruto de uma brincadeira que terminou editado e se não fossem a capa e diagramação de Maria Sampaio, jamais poderia se chamar de livro, não tem importância literária. Nada do que escrevo pode ser mostrado na frente de Capinan, sob pena de morte imediata por vexame agudo. Não dormi, mas não fugi. Chegou o dia e o cara veio junto. Nos apresentaram e ele me ouviu atentamente e de uma forma tão calorosa, íntima, amigável que achei que deus era de carne; elogiou minha fala que foi simples mas até eu achei boazinha, também. Ele não falou: cantou e encantou. Me deu um livro seu, Vinte Canções de Amor e um Poema (Quase) Desesperado, autografado com muito carinho. Não tive coragem de fazer o mesmo, podia quebrar o encanto. Uma platéia enorme e na mesa, eu e José Carlos Capinan. Ao final, uma festa. Um estudante comprou um livro meu e pediu que o autografasse; tive meus quinze minutos de fama.
foto de capinan:PROJETOvip

11 comentários:

Juan Trasmonte disse...

Claro que a arte de Maria deve ter ajudado. Mas não se engane, não conheço sua arte para curar (e prefiro não conhecer na própria pele rsss), mas que seu texto é digno de qualquer publicação, disso eu tenho certeza.
Abs.

Bernardo Guimarães disse...

Obrigado, Juan. Quando alguem que esceve bem me diz isso, passo a acreditar (rss...)

Luli Facciolla disse...

Eu sou sua fã... Sou mesmo!
Mas eu tremo mesmo se tiver que ouvir bronca... do tipo: "isso é hora de chegar? Onde vcs estavam? Cadê Maíra que nao chegou junto?"
Isso é de tremer nas bases!

Mas sou fã confessa!

Beijos!

PS: Estou com inveja de vc que está coladinho com minha sereia... Mas eu irei vê-la!!!

Bernardo Guimarães disse...

Fã nada, Luli, vc é uma filhota.
Iara está aqui na Bahia, pertinho de vc!

maria guimarães sampaio disse...

Sitrudia encontrei Capinan na Perini. Estava ótimo, velsamos e revelsamos sobre netos (dele, naturalmente)

Janaina Amado disse...

Bernardo, não conheço seu livro, mas se é parecido com as coisas que vc. escreve aqui, só pode ser bom.
Também sou como você, fico completamente abestada na frente de ídolo...

aeronauta disse...

Oi, Bernardo, os deuses geralmente são de carne. Cadê seu livro? Quero ler. Você é um escritor dos bons, moço.
P.S.: voltei; aliás, estou sempre voltando.

Renata Belmonte disse...

Bernardo,
Olha que legal: o Capinan foi meu jurado no Prêmio Braskem! Sou muito grata a ele e aos outros jurados pelo prêmio, pois ele permitiu a publicação do meu primeiro livro.
Falando em livros,como faço para ler o seu?
Bjs

Nilson disse...

É legal essa postura sua, mas concordo com o resto do povo aí em cima que vc escreve muito e não tem essa de fazer feio. E aí, como é que se lê esse livro???

Bernardo Guimarães disse...

Resolvi fazer um post sobre nosso livro Morte Abjeta ( nosso porque foi escrito a 4 mãos, sendo as duas outras as de Maria judith Ribeiro. Vejam, pois, inclusive vou deixar uns para quem quiser ler.

Meninha disse...

Li seu livro e posso dizer que é muito bom! Que ~Jango não me veja dizer isso, pois ele diz que se você peidar, eu acho lindo. KKKK

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas