sexta-feira, 31 de outubro de 2008

IAPSEB


Centro Administrativo da Bahia, 4ª Avenida, Plataforma A: Secretaria de Saúde do Estado. Trabalhei naquele prédio de 1983 a 1990 e foi ali que desenvolvi outro de meus hábitos estranhos: o uso do sanitário. Já contei, sem o menor constrangimento, que faço os Caixas Eletrônicos de mictório. Xixi é sopa, a gente solta em qualquer lugar. O resto não faço em determinados lugares nem sob tortura!

Eu sou tão maluco...

Quando eu entrava no sanitário da SESAB para lavar as mãos, escovar dentes ou fazer xixi, sempre havia algum engraçadinho que fazia piadinhas com quem estava fazendo coisa séria, e com muito esforço. Às vezes era exatamente o sinal deste esforço que dava motivo às brincadeirinhas de mau gosto.

-"comeu cachorro morto!"

-" pode rezar pela alma que o corpo está podre!"

Eu odiava aquelas pessoas e cada vez que presenciava aquilo , crescia em mim a certeza de que jamais passaria por aquela situação. Mas, trabalhando em tempo integral, como faria numa urgência? Foi quando me ocorreu a saída genial. O medo era apenas que as pessoas fizessem piadinhas comigo, sendo identificado como o personagem esforçado. Se ninguém me conhecesse, não teria problema.

Eu sou mesmo muito maluco.

Sempre que me ocorria uma urgência intestinal, descia o elevador, atravessava o estacionamento, cruzava as duas pistas, outro estacionamento, mais um elevador e ia concentrar meus esforços no ultimo andar do IAPSEB. Lá, ninguem me conhecia e as piadinhas, nem parecia que eram comigo. Aquilo sim, é que era paz de espírito. Hoje toda a família já conhece o dizer, mas na época Vera era minha única confidente e disfarçava quando perguntavam por mim.
E continua a paranóia. Se formos a um encontro, todos conhecidos, encontro dos blogueiros por exemplo e me ouvirem dizer "-vou ao IAPSEB", não me sigam. Nem comentem nada depois!
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foto: secbahiablogspot.com; ex-iapseb

16 comentários:

Nilson disse...

Nunca atravessei a rua pra ir ao Iapseb, mas já adiei os planos porque tinha gente no banheiro. Entendo perfeitamente a sua questão!

maria guimarães sampaio disse...

e nunca se obrou no caminho?

Maria Judith. disse...

HEHEHE!!!

vera disse...

Adoro a história do IAPSEB!

anjobaldio disse...

História extraordinária, como escrevia o velho Edgar Poe.Grande abraço.

Maria Judith. disse...

Horas depois, continuo às gargalhadas. (O comentário de Maria ajuda a rir mais ainda!!!)

Edu O. disse...

quase indo ao IAPSEB de tanto rir.

Luli Facciolla disse...

Mais gargalhadas... só pra completar as de todo mundo!

Beijos

Luciano Fraga disse...

Sua narrativa é realmente maravilhosa,tão leve e relaxante quanto ir ao IAPSEB, abraço.

Meninha disse...

KKKKKKK

Janaina Amado disse...

Que história ótima, morri de rir!

Mãe de Iara disse...

Adoro a história do IAPSEB !!! Tia Maria Sampaio deu um tque especial !!!

Renata Belmonte disse...

Sério, primo? Fiquei curiosa!!!!!
Bjs

Renata Belmonte disse...

Que alegria, Bernardo! Vou dormir melhor sabendo disso, tive uns dias difíceis.
Bjs

Anônimo disse...

nada como alguem que conheço que tem uma técnica de cagar sem mostrar os pés por debaixo da porta pra não ser reconhecida pelos sapatos.... Lua

Bernardo Guimarães disse...

não, prima, nunca; é que eu sempre partia tão logo dava a dor de obrar. Agora, orinar, eu orinava em qualquer lugar!

Judith: vc ri porque nunca teve de fazer meu percurso, às vezes com a obra já iniciada.

Lua: tem maluco pior do que eu, sim!

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas