segunda-feira, 9 de março de 2009

Vertigo


Socorro! acho que vou cair pelas tabelas! Explico: fui acometido de uma crise repentina de labirintite. Alguém aí já teve este troço? é a minha primeira vez e é terrível. Sempre achei que é bom os médicos terem umas sipitucas de vez em quando, pra valorizar o discurso dos pacientes. Por mais que se queixem nunca damos a real dimensão do mal que padecem, até que padeçamos nós mesmos dele. Agora sei muito bem o que querem dizer quando falam de uma tontura labiríntica. Acordei às 3 horas da madrugada com um ruído estranho, como uma pulsação dentro do ouvido esquerdo. Creditei à gripe próxima passada e voltei a dormir. No caminho pra Camamu, de repente, senti algo estranho e tive tempo de parar o carro no acostamento e fiquei alí, estatelado, apavorado, com medo, curtindo uma tontura devastadora. O asfalto parecia um lençol arremessado sobre uma cama para forrá-la e me agarrei no volante pra não ser arremessado junto. Uma vontade de vomitar me tomou conta e ficou somente na vontade, que já dura sete horas. Sete horas de pavor. Amparado feito um bêbado, com motorista provisório, voltei pra casa. Saltei quase carregado, como se estivesse no corredor do Ferribôte em dia de tempestade. Um comprimido de Dicloridrato de Flunarizina às 15 h e fui direto pra cama aguardar o delicioso efeito das drogas. Agora são 17:30 e a tempestade passou. Como num encanto, duas horas depois da medicação já pude me levantar sozinho. Não estou cem por cento mas já dá pra dizer olá sem vomitar no interlocutor desavisado, caminho sem cambar à bombordo e aprendi mais uma lição a duras penas, o que é muitobom na profissão: para labirintite, Vertix, cama e paciencia. Tudo passa com o tempo. Tudo.

foto: paulomadeira.

12 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

ó primaldo... nada pior do que tontice ou tontura (aliás, só conheço de cachaça!)
O asfalto-lençol é genial.
Boa recuperação. Beijos da primalda.

Renata Belmonte disse...

Bernardo, querido,
Espero que vc fique bom até o nosso aniversário!(e até o lançamento tb)
Bjs

Nilson disse...

Tive um troço que o médico descreveu como "labirintose", ou seja, não propriamente labirintite. Mas entendo o que vc sentiu. E descreveu, aliás, com a destreza de sempre. Zonzo, mas afiado!

Marcus Gusmão disse...

Ainda bem que o médico estava ali de plantão para socorrer o artista. Cuide-se, rapaz.

PS. Não estaria esta secretaria de saúde(?) consumindo o seu juízo em demasia? Prescrevo Pancada Grande.
PS2. É engraçada esta fauna que habita a nossa cabeça. Em vez do caracol, tenho destrambelhado o cavalo marinho.

Janaina Amado disse...

Sua subsecretária dos truques prescreve; férias imediatas desta secretaria, de preferência em Maceiócio (Num foi depois desse trabalho que a doença apareceu? Untão!). Tudibom!

Edu O. disse...

Ao ler você até esqueço que é médico. Você é autor dos bons e embora acredite que tudo seja verdade, me parece conto bem contato de gente das letras. Convivi com a labirintite de minha avó e sei o quanto é ruim. Por enquanto, só conheço a tontura de cachaça, como Maria. Melhoras!

aeronauta disse...

É, também estou achando que é ficção.

Meninha disse...

Espero que já esteja melhor. Bjss

Chorik disse...

Após uma maravilhosa e hilária série médica, eis que o doutor virou paciente. Descobriu afinal porque se denomina paciente o coitado que padece. Melhoras Dr. Bernardo. Não há de ser uma tontura à toa que irá te derrubar.

Luli Facciolla disse...

SIM! Eu vi a cara do Dôtô se segurando no braço do sofá pra não cair, mesmo estando sentado...

E aí, melhor?!

Beijos!

Ricardo Dib disse...

Se cuida, doutor.

Melhoras e um abraço.

Anônimo disse...

Meus amigos,eu preciso saber se eu posso tomar o vertix e o gingo biloba ao mesmo tempo. se não tem problema.

xeudizer:

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