sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Casa Rôla


Indo pro Morro de S.Paulo e quando digo qué pra ver Iara, as filhas bradam! -"Ele agora só quer saber da neta". Elas fingem que é verdade e eu finjo que é mentira, em nome da harmonia familiar, mas é claro que quero estar com todos.

Temos casa no Morro desde 1967, quando ainda era um povoado de pescadores com veranistas de final de ano. Meu pai herdou uma ruína de vô Chimbo, que recebeu de seu pai, nosso bisavô Wenceslau Guimarães, o tirano. Este contruiu a casa e pôs o nome de sua esposa, para sempre conhecida no Morro como Casa Rôla. Claro que o nome dava panos pra manga e demorava muito explicar tudo isso. O apelido pitoresco rolou (ops) na imaginação de qualquer um. Meu pai fez uma autêntica casa de veraneio, sem trancas nas portas, janelas sempre abertas, dia e noite, e durante anos nunca houve o menor problema. Todos os vizinhos se conheciam, apesar da segregação. Os veranistas da vila e os da Prainha até depois da Casa Rôla eram " os pobres"; dalí em diante, começava a "Vieira Souto", com os bem-nascidos da Bahia que faziam questão de não se misturar com nosotros. Eram os de sobrenomes estrangeiros, socialites, grandes empresários, geralmente ligados -quase todos- ao esquema político dominante, leia-se ACM & Cia. Alguns descolados de ambos os grupos procuravam se misturar; eu mesmo me casei com uma que passou a fronteira, sendo eu o coiote. E assim transcorriam nossos veraneios. Um dia, dois deles lá se desentenderam e um matou o outro. A viuva se mandou, transformou a casa em pousada e o resto, quem quiser, vá lá ver no que se transformou. Os gringos tomaram conta (uma e duas), os nativos foram sendo substituidos lentamente. Eu não conheço mais ninguém, mas só vou lá pra ver Iara. E Maira, Luana, Eduardo...
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eu e iara na pousada morena; atrás, semi-encoberta por mim, a casa rôla. foto de maira

8 comentários:

Juan Trasmonte disse...

Que bom poder construir para o leitor uma imagem do que era o Morro.
Pois é, turismo é predador mesmo. Teve uma época em que argentinos iam lá que nem hippies pro Katmandu.
Abraços

Palatus disse...

Muito bem, mais uma história de meu quase-lugar...adoro o Morro e seus morros de vida.

Maria Muadiê disse...

Bernardo,
deve ser delicioso ter uma netinha! O perfil está bem arecido, vcs dois olhando para o emso lugar.
Pôxa, o turismo em Morro é predatório mesmo! Uma grande pena. Apesar de ir tanto para Valença nunca mais fui lá.
O carro já chegou?

maria guimarães sampaio disse...

quanta saudade, meu primo... de nossos velhos, do velho morro. Como não tenho neta, fiz um bico, com o dedo indicador tracei um Xis em cima do morro e não vou mais lá.
Parei e passou um filme de cada ida ao Morro... choro com muita saudade.
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Iara é linda!

Menina da Ilha disse...

Que sintonia a sua com Iara. Ficou muito lindo vocês olhando para o mesmo lugar. Coloque uma foto de Iara dando risada.

Janaina Amado disse...

E a Casa Rôla? Desenvolve!

aeronauta disse...

Foto linda! Essa menininha é muito fofa!

Meninha disse...

Só esqueceu de dizer que a Rôla virou Palmeira.

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas