terça-feira, 14 de abril de 2009

Oropa, França e Bahia


O que há em comum entre Lisboa, Roma, Buenos Aires, Havana e Nilo Peçanha? cadeiras na calçada. Só viajo pra onde tem cadeiras na calçada. E a diferença entre elas? em Nilo, não pago o café. Se tem uma coisa na vida que gosto, é sentar numa cadeira e ver a vida passar na minha frente. Pode rolar um artista tocando sax, alguem oferecendo flores, querendo fazer sua caricatura ou as pessoas comuns simplesmenete passando, como se estivessem desfilando pra mim. Gosto especialmente de observar os sapatos e ficar imaginando porque aquela pessoa escolheu exatamente aquele sapato naquele dia, se é seu unico par, por que aquele não combina com a roupa ou se é adequado para o clima. Quase nunca fecha com o que eu escolheria. Pelo sapato você saca muito do sujeito que o calça. Mostra-me o que calças e te direi quem és.

Voltemos às cadeiras nas calçadas. Mudam as cidades mas não se altera em mim o gosto de espiar. Sou um voyeur das ruas. Não me chamem, em viagens, às compras. Me recuso a ser protagonista nas cidades alheias. Me recusei a andar nas gôndolas cafonas com suas almofadinhas fedorentas de babados, cheias de japoneses fotógrafos ou mexicanos em lua de mel. Não vou a uma tourada, nem depois de morto. Ninguem me forçará a subir na Torre Eiffel ou no Empire States, aliás, morro sem ir aos USA & ABUSA. Com tudo isso, não me considero um mau companheiro de viagem, um chato; para uma viagem se tornar a dos sonhos, apenas me convide para um café.
foto de nana, num café da florida com cordoba, b.a. , argentina, 04/04/09

7 comentários:

Edu O. disse...

Bernardo, acho que vc escutou minha conversa sobre viagens. Eu penso e faço extamente isso.
Você não deve ter ido a Sto Amaro ainda, pq as cadeiras de lá são cativas. RS Sou louco por cadeiras na rua!

maria guimarães sampaio disse...

Tou contigo. Adoro sentar e apreciar, inventar as vidas das pessoas. Em Paris e Londres (não gostete muitete desta não)não faltam bancos nas calçadas (sem falar nas praças) e a gente senta sem nem precisar café nem nada, se bem que um café é tudo (mesmo sem beber o café). Coloco minha máquina em posição estratégica (meu rosto desviado) e plequete plequete as caras dos passantes param dentro de mim. Já andei de gôndola, vixe quantas vezes subi na torre eiffel! subi na Giralda, no telhado do Vaticano e na colina de Notre Dame e na colina do Bonfim (com você, tantas vezes!) (EEUU também jamais me verão pois não sou Telma nem Louise para me jogarem do despenhadeiro embaixo). Também não me chamem às compras (acompanho companhias de viagem) porém... adoro uma lojinha de museu!
Vixe! fiz um post

miro paternostro disse...

confesso ser um atento observador de sapatos também. sou exatamente de sua sua opiniao, mostre-me o que calcas e te direi quem és...

Ricardo Dib disse...

Pra Torre Eiffel eu até quero ir.
Mas, acho que o melhor de estar em lugar diferente, sobretudo no estrangeiro, é observar as pessoas. Ver que são iguais a todas as outras do mundo e ao mesmo tempo tão diferentes em seus modos de agir, pensar, calçar... rs.

Abraço.

aeronauta disse...

Crônica linda de um viajante que sabe ver.

Renata Belmonte disse...

Tudo que eu queria hj era sentar numa cadeira para observar o mundo com vocês...
Bjs

Juan Trasmonte disse...

Doutor, o pudor me exime de comentar na postagem daqui em cima, mas aqui eu posso, porque assim que vi essa foto lembrei do nosso encontro no mesmo ponto, um pouco mais diurno.
Você foi tan certeiro no telefone quando disse pra gente se encontrar naquele bar que eu nem ousei fazer uma proposta alternativa.
E na tarde que a gente se encontrou você estava tão a vontade naquele lugar que na hora eu soube que já era um dos teus cantinhos no mundo. Tanto que por um momento eu parecia o viajante e você o nativo.
Abs.

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas