terça-feira, 22 de junho de 2010

Tal avô...


Com cerca de 4 anos de idade, carregava um estrabismo tão esquisito que tia Norma me levou a um oftalmologista seu amigo, Dr. Humberto Castro Lima, recém chegado da Espanha. Exame, fundo de olho, oscambau, o diagnóstico: o menino só tem visão periférica no olho esquerdo, deixa sem noção de profundidade o que lhe tira definitivamente de algumas profissões, como goleiro e piloto de avião. De goleiro, me livrei com alegria, mas morri por não poder seguir a profissão de meu pai.
Há cerca de dois meses meu filho comunicou: "vou começar o curso para piloto de avião". Agora a natureza segue seu curso correto; se o filho não pôde, o neto será.
Hoje é o aniversário de Jango e neste dia em que anuncio aos quatro ventos a sua decisão, só me resta pedir que o velho piloto, lá de cima, pegue uma carona em toda aeronave que meu filho pilotar, segure sua mão com firmeza no manche, clareie seu raciocínio, esfrie seu sangue, afaste as nuvens pesadas, e lhe transmita - se já não o fez geneticamente- a paixão necessária para ser feliz na profissão; e lhe agradecer por indicar o melhor anjo da guarda que um homem pode ter: um anjo de nome de nuvem: Claudia.
E eu, vou aprender a olhar mais para o céu e fazer mais por merecer um pedido de ajuda para João.
foto de meu pai: autor desconhecido

7 comentários:

- Luli Facciolla - disse...

Parabéns para Jango!
E sorte para o novo piloto!

Beijo

Chorik disse...

Como é bonito o seu amor pelos seus familiares! Você sempre se revelando um amoroso pai, filho, irmão, avô, primo, sobrinho, gente da melhor estirpe, doutor Bernardo. Uma honra conviver contigo.
Abraços e feliz aniversário ao João.

Gerana Damulakis disse...

Assim vc me transformará em rio nas visitas ao seu blog.
Fiquei aguando: texto lindo!
Tem gente no céu que olhará sempre quando ele passar pilotando o avião.

Lua disse...

lindo texto, pai, o mais lindo de todos...

Edu O. disse...

que assim seja!

Renata (impermeável a) disse...

Vo -a- lá!

aeronauta disse...

Um belo voo esse. Como todos os outros.

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas