segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sobre cada um




Um ano convivendo com uma sombra, com uma habitante das nuvens. Sem rosto, me permitiu imaginar vários. Engraçado que a depender do texto, via um rosto da Aeronauta. Sua irmã foi soltando dicas em doses homeopáticas. Ela própria, sem querer ( seria? ), foi se entregando aos pouquinhos, numa entrega sofrida ( me confessaria no dia em que nos conhecemos ) e indecisa. Digo-não digo, conto-não conto. Até que se quebrou o encanto. Quando a Menina da Ilha me apresentou Aeronauta no lançamento dos livros de Maria e Nilson, tomei um choque. Nos abraçamos longamente, como duas pessoas que não se viam há tempo. Não nos víamos há todos os tempos. Como ver alguem como Aeronauta, a que habita as nuvens e solta textos belíssimos sobre nós, os mortais, os com-nomes, os com-rostos?
Agora tudo muda. Não sei se pra melhor ou pior, só sei que de agora por diante, qualquer que seja o texto escrito por ****** *****, a de dois nomes próprios, a que carrega um nome que gosta e outro que lembra a inimiga da própria mãe, este texto terá o rosto que vi, quase acuada de medo, tremendo, tentando se esconder numa estante de livros, se mudando das nuvens para as letras, lugares mais do que prováveis de ser encontrada. Seria esta a forma de continuar oculta? Duvido. Mais dia, menos dia, as duas se encontrarão por definitivo e juntarão o que cada uma pode ser.
Sempre gostei muito dos textos escritos por Aeronauta. Ela é um dos meus ídolos das letras. Vai continuar sendo. A diferença agora é que ela vai ter de se acostumar com o fato de que gostei muito da outra tambem.
gravura: mulher ao espelho, de picasso

8 comentários:

Renata Belmonte disse...

Nossa, primo! Você tá danado!
Elas são mesmo maravilhosas, moram no meu coração.
Imagino como deve ter sido lindo esse encontro! Só faltava mesmo vcs dois se conhecerem para a festa ter sido perfeita.
Bjs para vc, para a dona do perfil e para Vera tb!

aeronauta disse...

Obrigada, Bernardo.
No dia em que te conheci, notei que você era exatamente como eu imaginava.

Janaina Amado disse...

Texto comovente, Bernardo. Disse tudo.

Gerana Damulakis disse...

Um texto cheio de emoção. Aliás, a cada perfil, uma emoção. Muito bacana.

Palatus disse...

Para mim, Aeronauta continua um mistério, não mais, não menos importante: para mim, a mesma!
Mas quero um dia desvendar esse segredo.

Boa terça, dr.

aeronauta disse...

Oi, Bernardo, volto aqui pra dizer que o abraço longo que te dei foi de reconhecimento, pois, ao contrário do que você disse, acredito que "nos víamos há todos os tempos". O que importa é o que você via nos textos que lia: minha alma. E ela será sempre a mesma, escondendo-se por trás de nuvens e de livros. Bjos.

maria guimarães sampaio disse...

Dá-lhe, primaldo. Nossa Aero com ou sem nomes próprios, é uma porreta. Essamenina! Bacana.

Nílson disse...

A Aeronauta e a moça por trás da Aeronauta: você fala de ambas com essa propriedade que só você tem. Dá-lhe, lobisomem!!!

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas