
Um ano convivendo com uma sombra, com uma habitante das nuvens. Sem rosto, me permitiu imaginar vários. Engraçado que a depender do texto, via um rosto da Aeronauta. Sua irmã foi soltando dicas em doses homeopáticas. Ela própria, sem querer ( seria? ), foi se entregando aos pouquinhos, numa entrega sofrida ( me confessaria no dia em que nos conhecemos ) e indecisa. Digo-não digo, conto-não conto. Até que se quebrou o encanto. Quando a Menina da Ilha me apresentou Aeronauta no lançamento dos livros de Maria e Nilson, tomei um choque. Nos abraçamos longamente, como duas pessoas que não se viam há tempo. Não nos víamos há todos os tempos. Como ver alguem como Aeronauta, a que habita as nuvens e solta textos belíssimos sobre nós, os mortais, os com-nomes, os com-rostos?
Agora tudo muda. Não sei se pra melhor ou pior, só sei que de agora por diante, qualquer que seja o texto escrito por ****** *****, a de dois nomes próprios, a que carrega um nome que gosta e outro que lembra a inimiga da própria mãe, este texto terá o rosto que vi, quase acuada de medo, tremendo, tentando se esconder numa estante de livros, se mudando das nuvens para as letras, lugares mais do que prováveis de ser encontrada. Seria esta a forma de continuar oculta? Duvido. Mais dia, menos dia, as duas se encontrarão por definitivo e juntarão o que cada uma pode ser.
Sempre gostei muito dos textos escritos por Aeronauta. Ela é um dos meus ídolos das letras. Vai continuar sendo. A diferença agora é que ela vai ter de se acostumar com o fato de que gostei muito da outra tambem.
gravura: mulher ao espelho, de picasso