

- Babaca, onde você está?
- Em Valença
- Onde, exatamente?
- Na Praça da República, indo almoçar, por que?
- Estou na baía de Camamu e em dez minutos passo por aí pra falar com você. Que camisa você está?
- Amarela.
- Fique ao lado da fonte luminosa.
Sentei num banco debaixo de um flamboyant e não esperei muito. O ronco do motor surgiu junto com ele, vindo do sul. Corri pra junto da fonte, mãos sobre os olhos e ele deu duas voltas, baixinho sobre a praça, balançando as asas do pequeno avião. Abri os braços em acenos largos, rodando como se ele estivesse preso a mim, e falando baixinho: meudeus...não fique tão baixo...sai daí, urubu...vai filho, já deu, sobe, sobe...Um menino se aproximou e perguntou se ele ia pousar e eu respondi apenas que era meu filho, era o que eu queria responder.
Depois fiquei imaginando o que as pessoas que cruzam a praça todo tempo deve ter pensado ao me ver ali rodando, olhando pra cima e dando adeus. Não importa, sei que eles não viram os olhos mareados...
foto do site cessna
8 comentários:
era pra vc ter preparado seu celular e ter filmado o momento!!!!
Nana
Até eu marejei os meus por aqui. Valia uma filmagem...
lindo, Bernardo, lindo. vontade de chorar.
Que momento mágico pai !! São minutos de intensa felicidade que só um filho pode nos dá !!
Ô babaca, ops, doutor, que bela cena. Já valeu ter nascido, não valeu?
Abraços, pai chorão!
e vc? Vc me deu a inspiração com essa cena linda na praça.
beijo
Mareados como ficaram agora os meus. Que cena linda!
Massa! Tens razão de ficar embasbacado!
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