quarta-feira, 20 de maio de 2009

Minha casa






"Cada talba que caía, doía no coração".


Toda vez que ouço esta música de Adoniran Barbosa, fico melancólico. A história é triste porque eu, Matogrosso e o Joca ficamos sem casa. Os homi mandou derrubar.

Hoje passei por minha antiga casa. Todo dia eu passo mas viro o olhar pro outro lado. Hoje resolvi encarar. Parei o carro e fiz a foto acima. Em casa, comparei com a qui de donde nóis passemo dias feliz de nossas vida. Já tem pranta no teiado, mato tomou conta. Sou muito chorão mas hoje me superei. Chorei ali mesmo no acostamento, com a máquina grudada na cara.

Amanhã eu vorto com menos tristeza.

Saudosa Maloca.

foto de bernardo em 20.05.09

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Papas


Tenho uma relação especial com os Papas. Adoro as histórias sobre os antigos, muitas cabeludas outras escabrosas, os bastidores daquela eleição que deve ser uma coisa, com o "espírito santo" descendo para indicar o escolhido.

Tinha uma simpatia por João XXIII, com aquela cara de avô bonzinho. Nem sei se foi um bom Papa (pra quem?). Pio IX virou doce. Dizem ( foi do tempo de Maria) que Pio XII era um tirano e que andou fechando os olhos pras bandalheiras nazistas e fascistas. Paulo VI foi um chato. JP I, parece que ia dar um caldo, aí deram um nele. Quando apareceu JP II, caí de amores, fui ver ele na avenida tenho até um filho xará ( ele, o Papa, morreu sem saber que não foi por causa dele, foi coincidência) .

Foram 264 desde Simão Pedro e teve um, Bento IX, que adorava ser Papa: foi por três vezes! Teve Papa Bórgia ( irmão da Lucrécia), Pio, Leão, Xisto, Clemente, tivemos dois Papas de uma vez, período sem Papa, de um tudo um pouco. Um morreu na cadeia, nove foram assassinados, dois feridos em revoltas e um morreu com o teto que desabou em cima.

Como a Igreja é bem velhinha, parece que o espírito santo tá meio ceguinho, digo por causa desta ultima escolha. Acho que quando ele chegou, ( o pombo, e deve ser por aquela chaminé), rodou, rodou, cansou, ia dar uma paradinha, daí os cardeais naqueles vestidos impecáveis, calor desgraçado, fome, vontade de fazer xixi, cansados e doidos pra acabar com aquilo, bradaram:

-"É ele, é ele!!" O santo pombo estava pousando na cabeça do Ratzinger. Mas era só pra dar uma cagadinha.


foto da web,sem crédito

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Chupa-imbigo



Assim mesmo, com "i" é como aqui no interior chamam o umbigo. E o Chupa-imbigo é o maior inimigo das crianças. Parece ter sido invenção dos pais, versão regional para o bicho-papão, na hora de ameaçar os filhos para não fazerem aquilo que os pais não querem que façam. Chamam o Chupa-imbigo como quem pedem socorro a um super-herói, se a criança não quer se levantar cedo pra ir pra escola, pra tomar o café todo, pra ir pra escola, pra sair da escola, pra ir tomar banho, pra sair do banheiro, parar de brincar na rua de noite.


Por aqui andava uma Kombi preta com letras amarelas, de algum órgão federal, que era acionada nas campanhas de vacina. Tempos de vacina obrigatória contra a varíola em que os agentes do mal ficavam espetando os bracinhos da gente com um alfinete molhado numa gosma, ou com um vidrinho que arranhava e que já vinha com a gosminha dentro, provocando pústulas terríveis perto do muque. A vingança da molecada veio de 4 rodas: todo carro preto era a Kombi e a Kombi era do Chupa-imbigo! Inimigo! Quando ela aparecia, mato pra que te quero! Imaginar alguém lhe sorvendo a vida pelo imbigo, era matéria para Tortura Nunca Mais.


Minha ultima ação na Secretaria de Saúde de Camamu foi a campanha de vacinação contra gripe para o idoso. Atingimos indice baixíssimo de cobertura e agora teremos de ir atrás, de casa em casa, buscando vovôs e vovós para tomarem vacina, até no mato, se for o caso. Sinal dos tempos: Chupa-imbigo agora anda de Mitsubishi L 200. Preta.


foto:chupa-imbigo, acrílico, blogdorodrigotavares.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Of.01/09

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Exmª Srª Prefeita
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Chega. Peço exoneração.
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Atenciosamente,
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.Bernardo Guimarães
Ex-Secretário de Saude
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sábado, 9 de maio de 2009

Perfume


Tenho uma excelente memória olfativa. As outras, o alemão anda tentando apagar. Veremos. Li o ultimo Monólogo de Edu escrito nas Madrugadas, que me fez lembrar " do tempo em que éramos lindos"*. Lembrei da escola primária em Nilo, ao recordar o cheiro da merenda: pão com manteiga e açucar na merendeira de plástico. Já cheirei pão com manteiga e açucar sem o plástico e não é a mesma coisa.
Das lembranças de quando "era bem lindo mesmo", a da primeira paixão me veio com o texto de Edu. Devia estar com sete, oito anos porque com dez deixei Nilo pra estudar na Bahia e já estava no segundo e definitivo amor, de tantos outros que vieram. Minha namorada, em quem jamais encostei um dedo sequer, usava um perfume que a identificava a quilometros. Hoje percebo que minha função como namorado, era catar seu cheiro onde passava, tocava, pisava. Domingo, da porta da Igreja já sabia se estava lá. E o ódio cheio de ciúmes quando sentia aquele cheiro em algum amigo? Três dias sem dormir. Até hoje, manopla de bicicleta tem aquele cheiro, daquele perfume que ela deixou na minha.

Passei anos com a lembrança daquele perfume. Cafunguei cangotes à toa; pra que, não sei, acho que só pela lembrança. Se tornou uma obsessão reencontrar o perfume.

Dia desses, numa prosaica compra de pregos para pendurar uns quadros, uma senhora, certamente da roça, com seu lencinho na cabeça e sandálias havaianas, encostou em mim. A labirintite voltou. Era ele, o perfume, sem a menor dúvida eu o reconheceria em qualquer vida. Fiquei ali, nem olhei pros lados, muito menos perguntei alguma coisa. Só fiquei ali, por quase cinquenta anos, olhando pra outro lugar...
* expressão cunhada por Maria Sampaio e Luciano Freitas para se evitar o horrível " antigamente..."
foto: perfumedegardenia.com.br

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Chove, chuva


Antigamente, na minha terra, chovia mais de duzentos dias por ano! Bons tempos, aqueles, em que nem se desconfiava do aquecimento do planeta. E tome-lhe a desmatar! Resultado: hoje ficamos até noventa dias sem ver uma gota de água caindo dos céus.

Naqueles tempos de chuvas fartas, a gente morava na fazenda. A casa, no alto de um morro todo cercado por dois rios. "-Tomara que chova três dias sem parar". A gente cantava e repetia, repetia como um mantra, a água descia aos baldes, os rios transbordavam, a casa ficava ilhada; resultado: além de acreditar que tínhamos o poder de fazer chover, ganhávamos alguns dias sem aulas. Enchentes. Dava pra nadar nas enchentes, não se falava também de leptospirose. No máximo uma cobra tentando se salvar e a gente dava uma mãozinha, ou uma varinha pra ela, coitada. Jangada de toros de bananeiras. Chuva, enchente, farra. Não tenho mais isso. Não deixo Iara se aproximar da varanda em dia de chuva. Que saco! Me perdi lá atrás e fiquei besta. Tenho medo de chuva, fico pensando em quem mora nas beiradas dos morros da Bahia. Chuva, enchente, morte. Que saco! o mundo mudou muito e mudou tão devagarinho que só agora me dou conta de que eu era feliz e não sabia...
foto:dpmablog.wordpress

segunda-feira, 4 de maio de 2009

BaVi


Luto. Três dias. Perdemos mais um campeonato. Quem não entende, não dê palpite. Quem torce pro Vitorinha, não me provoque porque sou ferrado.

Adeus.

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas