terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Estrelas e estrela.


Foto antiga; máquina de Maria mas alguem fez a foto para que ela aparecesse, em primeiro plano, é claro! Vamos fazer a brincadeira de quem era e quem é, agora.

Da direita para a esquerda:

Era Maria Sampaio, hoje, é uma estrela.

Seu Zezinho Veloso, aniversariante, hoje, mais uma estrela.

Atrás de seu Zezinho, Nilton Mainha; hoje, Nilton Voinha.

À direita de Maria, Bethania; hoje e sempre, Bethania.

Atrás de Bethania, Maria Candida Pato, namorada de meu irmão Leonardo, hoje, cardiologista.

Atrás de Candida, Dorinha, hoje, sumida.

No centro, de óculos, minha irmã Mena, a dona do sítio e responsável por todas esculhambações que lá se fez; hoje, aposentada de tudo, inclusive das esculhambações.

Atrás de Mena, Eduardo, meu irmão, assassinado em Valença; hoje, mais uma estrela.

à direita de Mena, de oncinha, Solange Putilda; hoje, uma estrela.

Atrás de Solange, Itinho pivete; hoje, Dr. Ito Meireles, cirurgião plástico.

À esquerda da foto, conversando com Solange, Beto, o maior biriteiro que já conheci; hoje, evangélico e, claro, abstêmio.

Atrás de Beto, com a latinha, Rodrigo; hoje, Digão, o primo Veloso.

Esta foto foi feita em 1979 e enviada para me matar de inveja por causa de minha paixão por Maria Bethania. Eu estava em Sumpaulo, fazendo pós-graduação. Bethania nunca mais deu uma colher daquela...
foto do arquivo de maria sampaio, enviada por juliana. 14.10.1979

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Bonfim


Festa do interior que se preza é a do padroeiro. Em Nilo, Senhor do Bonfim. É quando se pinta a casa, compra roupa nova, batiza os pagãos, e os filhos e amigos ausentes se aprochegam. Missa festiva às 10 h, espichada, rezada pelo Bispo de Amargosa que depois vai almoçar na Casa Paroquial. As mulheres mandam pratos e mais pratos e todo ano eu como as sobras do Bispo na casa de Lilide, um macarrão ao forno, com camarão. Santo Bispo, volte ano que vem! À tarde, gosto de ver a procissão. Me amarro numa procissão. Antigamente eram duas filas, começando pelas crianças, depois as mulheres. Nos andores e na rabada, os homens. O padre no meio balançando aquele troço fumegante e as beatas nas laterais dando esporro nos meninos que começam a se cansar nos trezentos metros, e ainda tem toda a cidade pra percorrer. -"No céu, no céu, com minha mãe estarei"...Fim da parte religiosa.
Na rua, festa. Uma porcaria. Palco para bandas pífias e arrochantes. Prefeitos (os dois, temos dois, um de fato e outra de direito; juntando os dois, não dá meio), distribuem apertos de mãos e tapinhas nas costas. Decoração ridícula nas ruas, fogos que não enchem os olhos. Um particular salva o foguetório e manda uns fogos de lágrimas bonitos de se ver.
Acaba tudo e fica um gosto de já comi melhores. O que me salvou? o sobejo do Bispo!
foto de bernardo

sábado, 15 de janeiro de 2011

Iara, 3 anos

Neta é filha com açucar.
Esta criatura mudou a minha vida.
Três anos de paixão incondicional.
Tá lá, no Morro, escurecendo a pele, correndo na areia, aproveitando as férias. O avô, aqui, contando os dias para as férias acabarem ( ela que não me ouça!...)
foto de eduferraz

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Maicon, o barman

Encontrei Maicon ontem, no meio da rua:
-" Tô de negócio novo, um bar, maior sucesso, na estrada do Orobó; passe lá pra tomar uma comigo!".
Fui. Na hora, estava fechado para o almoço. Fiz a foto procês não pensarem que tô de sacanagem com o Maicon.
Agora estou atrás do porreta pra saber que desgraça ele quer dizer com os escritos na fachada:
BAR, RELÓGIO DA
MOÇA.
POR.VERM
??????!!!!
p.s. vou terminar trocando o nome deste blog para "delícias do interior!"
foto de bernardo, em 13.01.11

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Dieta rural


Pensando em me agradar, um paciente me levou uma banda de tatu moqueado. Recusei com cuidado de não ofender, explicando que sou "alérgico a carne de caça, qualquer caça". Não sou, mas não posso mais comer o que comia quando criança aqui na roça. Paca, tatu, cotia não, que não se come, nem tamanduá que tem gosto de formiga. Jacaré, jibóia, veado, rã, teiú, até passarinho. Eduardo, meu irmão, era retado pra derrubar beijaflor de badogue, arrancava o coração ainda batendo e engolia, com a ponta pra fora, mode dar mais pontaria. Boi, carneiro, bufalo, tô-fraco, pato, baiacu, bobó, camarão de água doce. Cheguei a comer o fim da linha da escala animal: sariguê, bicho com cara de rato e catinga de bode morto! Leite de vaca cru, misturado com mastruz. Xarope de jurubeba pra combater fraqueza do pulmão. Definitivamente, não posso mais comer o que comia. A maioria, deixei por força do ecologicamente correto e o resto, porque não preciso mais provar, como antes, que podia comer de um tudo um pouco. Hoje mais seletivo, só me permito deliciar com carne criada para o abate, boi, porco, galinha. Limpei a consciência e entupi as artérias: Colesterol de 330.
Parece que eu era feliz e nem desconfiava...


foto:tvtem.globo

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Exu


Chegou quem faltava. Depois de Antonio e Buda, baixou lá em casa o Exu, debaixo do pé de canela, entre o portão e a varanda, protegendo o caminho: Exu Baraketu. Em ferro, de sucata e de pau duro apontado pra frente, armas na mão, firme e vigilante, atento. Ontem mesmo, uma dessas pessoas chatas que não tem melhor o que fazer e fica de casa em casa com conversa mole de que "meu deus é melhor que o seu", se deparou com o Exu Lonan, se benzeu três vezes e escafedeu-se para nunca mais ( espero ) voltar.
Exu já mostrou pra que veio. Laroyê!

foto de bernardo em 11.12.10

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Jango




- Babaca, onde você está?
- Em Valença
- Onde, exatamente?
- Na Praça da República, indo almoçar, por que?
- Estou na baía de Camamu e em dez minutos passo por aí pra falar com você. Que camisa você está?
- Amarela.
- Fique ao lado da fonte luminosa.

Sentei num banco debaixo de um flamboyant e não esperei muito. O ronco do motor surgiu junto com ele, vindo do sul. Corri pra junto da fonte, mãos sobre os olhos e ele deu duas voltas, baixinho sobre a praça, balançando as asas do pequeno avião. Abri os braços em acenos largos, rodando como se ele estivesse preso a mim, e falando baixinho: meudeus...não fique tão baixo...sai daí, urubu...vai filho, já deu, sobe, sobe...Um menino se aproximou e perguntou se ele ia pousar e eu respondi apenas que era meu filho, era o que eu queria responder.
Depois fiquei imaginando o que as pessoas que cruzam a praça todo tempo deve ter pensado ao me ver ali rodando, olhando pra cima e dando adeus. Não importa, sei que eles não viram os olhos mareados...




foto do site cessna

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas