quinta-feira, 27 de maio de 2010

Fora do ar...

...por tempo indeterminado.


Me fecho em copas, num silêncio profundo, com medo de abrir os olhos; não quero ver o que está à minha frente. Meus medos todos ( quem me lê, bem sabe quais são ) estão na minha cara. Respiração presa, corpo quebrado de dores. Pensamento numa só direção. O telefone passou a ser algo terrível e me abalo quando toca. Vejo tudo em preto, branco e cinza.
Garganta travada, muda. Cinza, o meu coração.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Noticias de Maria



Nesta ida à Bahia, visita à prima Maria Sampaio. Saída de um breve internamento, a prima estava cansadinha mas com o humor de sempre. É muito bom visitar a prima. Eu não gosto da careca dela, tenho medo. Ela põe chapéu quando apareço por lá; dessa vez eu vi os cabelos crescendo, mais brancos que os de antes. Velsamos e revelsamos. Lembranças, casos de viagem, Oropa, França e Bahia. Nem soltamos veneno, ela não pode. Minga atenta, remedinho na hora certa. Quarto fresco, a cama só falta falar, mas a prima está na cadeira, parece uma Mãe Maria de Oxóssi. Me contou que terça começa novo programa de Rádio. Vá lá, prima, cante e espante os males. Andei ligeiro porque a ultima coisa que quero na vida é cansar a prima; mais do que a careca, morro de medo é de esporro dela. Saí de lá com uma falta, mas ela que me aguarde: em breve, muito breve, tiro ela pra dançar uma Cajuína comigo.
foto: eu e maria dançando cajuína, no sítio de mena

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tal pai...



Gostaria de ter força suficiente para iniciar uma campanha nacional contra a reeleição e o nepotismo. Estas pragas, instituídas pelos interessados, pra mim são o parafuso de centro dos males do país. Nas cidades do interior, os coronéis modernos só não usam chapéu, mas mantem a patente e se perpetuam através da reeleição e, quando já não podem mais, põem os filhos, conjuges e parentes por afinidade; ou marionetes. Até aí tudo bem porque é marionete quem quer, mas botar parente é nojento. Eu assinaria uma lei que proibisse a reeleição e a eleição de parente em qualquer grau! A família que elegesse alguem estaria banida da política, para sempre! Se isso fosse possível ( ah, se isso fosso possível!...) estaríamos livre de:


Grampinho, ACM Jr, Fábio Souto, o pai, Sérgio Carneiro, o pai ( já foi uma vez, se manda!)João Henrique, a mulher dele ( como se chama?), qualquer carneiro, Sérgio Britto ( casado com a irmã da mulher de um, também vale), Otto, César, Paulo Magalhães, o filho, o neto, o bisneto, qualquer um com esse sobrenome, Claudio Cajado, a mulher dele ( um anularia o outro), Geddel ( o pai já foi, esqueceram?), o irmão Lucio, Juthayzinho, Lomantinho, Sarneyzinho, Sarneyzão, Roseana, qualquer um com esse sobrenome, Rosinha Garotinho, qualquer um garotinho, Luciana Genro, Cid Gomes, Aécio Neves, Eduardo -Arraes-Campos, Rodrigo Maia, Angela Amin, Tumão, Tuminha, Fernando Collor, Marta Suplicy ( ou o ex, enfim, qualquer um Suplicy, para garantir que nunca teríamos Supla como Senador da República), Fleury ( este só por causa do sobrenome!)...esqueci alguém? E se a gente corresse, este ano dava pra vetar a chegada das promessas: Mario Negromonte Filho, Lue Carneiro e Cacá Leão.


Ah, se isso fosse possível!...




foto em: madeiraviva.blogspot.com

Pilates: tortura ou salvação


Gordo, barrigudo, preguiçoso, sedentário e entrevado; só consigo coçar o joelho se estiver sentado; me sento dizendo ai e levanto dizendo ui, um inferno. Por força da família ( já estaria morto não fosse por ela), procurei um profissional que me recomendou um tal Pilates; já me inscrevi e de imediato batizei de Pôncio Pilates. Amanhã começa minha história com o Pôncio. Amanhã, se vivo estiver, volto pra contar.

Meu objetivo: catar uma moeda do chão sem dobrar os joelhos. Acho impossível! Depois, fazer uma foto igualzinha à que ilustra esta postagem. Me aguardem!
foto em andarsemrumo.blogspot.com

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bandeira Branca





Fim do pugilato; joguei a toalha. Retiro-me com a elegância do lutador que reconhece maior eficácia nas armas do adversário. Sangue foi prometido e quem tem, mesmo sadio, tem medo. O japonês aí veio como um kamikase e eu não tenho o menor talento para a tragédia, como a do jovem Werther, ( meu Deus, como posso saber disso? ) que estourou os miolos com a arma trazida pela mulher que amava; e ainda poupo os demais leitores de seguirem o funesto exemplo daqueles que se impigiram o mesmo fim ao lerem o livro de Goethe. E olhem que os sofrimentos do jovem Werther eram os da alma, não uma prosaica hemorróida trombosada.

Fim.

"Ao vencedor, as batatas! "

bandeira em amigosdoencontropelapaz.com

segunda-feira, 26 de abril de 2010

As hemolóidas


Quando eu era criança, imitava alemão repetindo bem rápido a seguinte frase:

HEMORRÓIDAS ARDEM E DOEM.

Tente fazer o mesmo e sinta como parece a lingua de Goethe. É um barato e foi meu primeiro contato com as varizes anais, também conhecidas como cachos de uva no rabo. O segundo foi ouvir que "fulano está com as hemorróidas de fora" quando os mais velhos se referiam a quem estava nos cascos*! Aprendi depois, como médico, o nefasto efeito sobre a psique humana, causado pelas bolotas no fiofó*. Ninguem fica impassível quando lhe arde o furico*. Daí que estaremos sempre atentos aos transtornos coléricos dos que apresentam penduricalhos no franzido roxo*.

Tudo isso apenas para explicar aos nossos leitores, o piti que o dono das mais famosas HEMOLÓIDAS de Sumpaulo, quiçá do Brasil deu, ao tomar conhecimento de que no Nordeste existe uma entidade aporrinhativa* chamada chorink, que se trata de uma torneira aluída*. Ora, o desconhecimento do hemoloidálio senhor sobre as quizilas* nordestinas, poderá levá-lo a me processar se souber que, por nossas bandas, tereza é corda de bandido em fuga, elza é baculejo* e celson nada mais é que o apelido que damos aos botões que saltam dos fundilhos dos incautos. Portanto, nem pode existir uma terceira entidade chamada celson chorink, afinal "torneira aluída com hemorróidas" nos parece absurdo.

Temo que estamos, na verdade, frente a um sofredor com sério problema de identidade quando se confronta com a letra "Nê"*.

Em tempo: remédio caseiro ( e infalível ) para tratamento de hemorróidas: levar sempre consigo, uma semente chamada "cabeça de frade". Quando surge o ataque, rala-se a semente no chão e, quando estiver bem quente, encosta-se na tripa. Sobe um cheiro de meninico* mas é trancham*.
* para melhor entendimento, recomendamos o Dicionário de Baianês de Nivaldo Lariu.
gravura de um japonês sendo examinado por um médico, in fotolog

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A palavra é: (VIII)


Palavra enviada ( opa!) por meu poeta preferido, Nilson Pedro

CORNUCÓPIA

Irmão gêmeo de corno, tá na cara. A palavra caiu no uso popular, e se estendeu a todos irmãos não gêmeos, primos e até mesmo amigos de um corno. Quando queremos ser civilizados, para não ofender alguem, nos referimos a um parente/amigo de um determinado e reconhecido chifrudo de forma indireta: "- Fulano, cornucópia de Sicrano ( este sim, o galhudo)..." E fica todo mundo bem.

A origem desta palavra é bastante interessante: os incas já a utilizavam com a mesma e rigorosa significação, e a pronunciavam AIPÓCUNROC, que vem a ser a nossa conhecida, ao contrário. Não é curioso?

Para Jana:

CHORINK é uma torneira aluída, que pinga eternamente. Não tem conserto.


foto em: blogdasgajas.blogspot.com

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas