sábado, 23 de janeiro de 2010

A vida sexual de Al Capone e bando.


Conversa de mesa de bar, tema do momento: iniciação sexual. Al Capone sai na frente: "menino do interior, comecei com os quadrúpedes, só muito depois passei aos bípedes. Vaca, jega, ovelha, esta a preferida, a xota é fôrma pra bimbinha de moleque. O problema era Frederico Barba Roxa, o macho alfa do rebanho. Animal mais ciumento, o carneiro; tomei muita cabeçada na bunda enquanto comia uma do harém". Todos na mesa confessaram suas passagens pelas pastagens, todos com muita pena dos meninos de pleigraundes das cidades. Punheteiros, coitados. Na fase bípede, tinha as alegrias da garotada. Maria Eu Dou era a Geni da minha cidade e dava porque gostava. Não cobrava, não era puta. Deitava no capim, ai meu gostoso, gritava feito uma torturada. Dizia a cada um que ele era o melhor de todos. Grande Maria, não tem nem idéia da contribuição para a autoestima dos futuros garanhões. Coitada, enloqueceu. Perdeu o juízo e nem foi de tando dar sem a mão na cabeça. Hoje anda pelas ruas da cidade, falando coisa com coisa. Dia desses, todos tomando umas brahmas, chega Maria, passa a mão na cabeça de Bola Sete e com um sorriso banguela, entrega: "esse menino era tão magrinho..." Pra fugir da gozação, Bola jurou de pé junto que era mentira, nunca comi Maria. Maria tá louca mas lembrou perfeitamente que ele era magrinho. Al Capone nem se deu ao trabalho de desmentir.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Universo Paralelo


Perdemos o mando de campo. Por 9 anos sediamos uma das maiores festas rave do mundo. Um festival que celebra a vida, onde 15 mil pessoas ( isso mesmo: 15.000!) se juntam, vindas de toda parte do planeta para, durante 7 dias, terem a experiência de viver num universo paralelo. É o nosso Woodstok repaginado, atualizado, já que a música de fundo é o bate-estaca eletrônico: tum-tum-tum-tum, um mantra, uma passagem para a outra dimensão.
Fui uma vez como médico plantonista quando a festa ainda era em Ituberá, na praia do Pratigi. Foi uma experiência incrível e o melhor foi gostar da festa que imaginei que odiaria. O mantra me pegou, entrei no clima. Nunca vi tanta gente bonita reunida em um só lugar, a grande maioria de meninos e meninas. Além de mim, uns coroas animadíssimos. Um tiozinho dançava desesperadamente, sozinho, por horas, debaixo de um sol tenebroso, claramente com um arco-iris na moringa, mas precisavam ver a felicidade. Barracas e mais barracas de um tudo, um pouco. Sanduba, pizza, moqueca. Palcos para eventos, performances. Tendas: leitura de mão, búzios, altas discursões sobre qualquer coisa. Tum-tum-tum. Com meia hora pensei de enlouquecer. Uma hora depois estava acostumado. No outro dia, senti falta.
Perdemos a festa pra Jaguaribe, praia do Garcez. Os motivos da mudança são tantos, alguns indizíveis, outros suspeitos, o verdadeiro, guardado com o organizador. Muita gente aqui ganhava seu dinheirinho com o festival. Resta dar uma esticadinha até lá pra matar a saudade do tum-tum-tum. Pior pra Ituberá, melhor para Jaguaribe.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Palco



Foi a estréia de Iara nos palcos. Um improvável urso amarelo. Feliz da vida, pulava que nem uma guariba, este sim, um animal mais possível. Outros animaizinhos em volta, todos debutando. A professora, louca para comandar a festa que não era dela. Queria organizar, botar os meninos paradinhos em pontos marcados. Suou, suou e se rendeu à esbórnia, que foi muito mais divertida. Os meninos da platéia, tudo com vontade de virar bicho. Música alta, dançante. Iara cada vez mais pulante. Maira aos prantos, enquanto eu disfarçava, mas não soube muito não, vejam as fotos: bichinhos com olhos de cão. Barbeiragem do avô que estava com um olho no palco, outro na atriz.

fotos de bernardo, em 12.09

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano Novo ( ? )


Pronto! Cá estamos em 2010 e nada de mais aconteceu, ou melhor, tudo de mais continua a acontecer, ignorando galhardamente a " mudança de ano". Há apenas vendedores de fogos mais ricos, algumas pessoas putas porque não acertaram a Mega Sena, outros felizes porque na festa descolou alguem, muitos arrasados com as mortes em Angra dos Reis. 2010 tem alguma coisa a ver com estes fatos ou acontecem porque as pessoas teimam em fazer de conta que é uma data especial e se entopem de birita, dirigem bêbados, enforcam o trabalho, ou torram dinheiro? Olhem pra cima: o céu continua o mesmo - pra alguns, está caindo mais água do que o normal, mas não acontece há mais de um mês? as estradas que nos levam de volta pra casa são as mesmas - com mais bêbados, repito; segunda feira todo mundo tem de estar no mesmo batente -sendo que muitos nem batente continuam a ter para sentar e, depois de quinta, vai ter mais uma sexta feira pra se tentar a Mega Sena - desta vez menor, ao menos provoca menos fantasias Megalomaníacas ou ganância. Lembremos que os Orfanatos continuam cheios, as águas cada vez mais contaminadas, o Bahia tem um campeonato pela frente e eu estou ficando cada vez mais chato com estas estórias. Em todo caso, vamos cuidar da vida.


foto do tudomaisblog2.wordpress.com

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Reveion



Depois do Natal, Reveion, bobagem maior que a outra. Aliás, dou um pelo outro e não quero volta. Ano Novo o que, cara-pálida? O que fazer com o dos chineses ou o dos judeus? Quem me garante que tem troca de ano mermo? e não é só apelo comercial não, é histeria coletiva. Cada ano, mais um milhão se acrescenta à praia de Copacabana; quero ver daqui a dez anos ( quero mermo!) como vai caber doze ou quinze milhões esticando o pescocinho pra riba mode ver os foguetes papocando. E todo mundo de branco; nem eu que sou médico, uso. E o ano é de quem mesmo? oxóssi? oxalá? nunca ouvi dizer que Nanã reinou num ano, é sempre um dos "quatro grandes".


Tô fora definitivamente desses rituais que as pessoas repetem por inércia. Por isso não canto parabéns pra você, só pra não ouvir a segunda parte. Ficar em casa. Não dá nem pra ver TV: tem o Faustão e "a primeira" criancinha a nascer no ano e as indefectíveis "previsões" que todo ano eu juro que vou guardar pra desmascarar os magos e depois vejo que não vale a pena. Bom é dormir e acordar depois que tudo isso já é passado, e o ano, nem mais tão novo assim. Talvez eu é que esteja mais chato do que todo o resto do mundo, não me levem muito a sério. Agora, querem me dar razão? quem aguenta ouvir, no dia primeiro, que " a gente não se vê há um ano?"




foto reveion em salvador: a tarde.com

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Natal



Não há mais sentido em gostar de Natal quando já não somos mais criança. Eu não gosto. Quando "descobri" Papai Noel ( o trauma foi contado aqui), deixei de gostar do Natal. Passei uma fase em que não gostar era pouco, detestava e me recusava a participar de qualquer evento que tivesse vermelho e verde, Noel, jingle bells, neve de isopor, Simone cantando "porque é Natal" até mesmo os votos me esquivava de dar ou receber. Árvore, nem pensar. E as árvores "diferentes"? as peladas arranjadas na rua, toda coberta de algodãozinho simulando as neves do lado de lá do Equador, com bolas somente de uma cor? os presépios "regionalistas" com pedra, pau e bode na beira de um açude? já vi Rei Mago com roupa de couro de vaqueiro. Definitivamente, deixem o Natal só para as crianças.


Hoje estou mais tolerante. Já não detesto mais. Ainda não gosto, mas botei umas bolas coloridas com uns penduricalhos prateados ao lado do Mensageiro do Vento, no pé de canela da porta de casa. Ainda não senti firmeza em arrodear o tronco com luzinhas piscantes. O que mudou? Ah, já sei: o que foi permitido de enfeite e a resistência em cantar Noite Feliz tem um só nome e motivo: Iara. Só não me visto de Papai Noel porque minha neta vai passar o Natal longe de mim...




desenho: miklas29.wordpress.com

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Aquele olhar


Estudante ainda, já garantia algum fazendo audiometria no consultório de meu cunhado na Rua Rui Barbosa. Uma tarde, do meio-fio do passeio da loja Adamastor, esperei os carros darem uma trégua quando o transito fez parar na minha frente um Opala preto com motorista e um velho sentado no banco de trás. O velho ficou a três palmos de mim, se muito. Mãos cruzadas sobre o colo, levantou o rosto e me olhou. Devia ter uns oitenta, com bolsas enormes sob os olhos. Deve ter sido por intermináveis dez segundos aquele olhar penetrante e desconcertante, até o velho abrir um sorriso tão disfarçado que posso apenas tê-lo imaginado, mas foi um olhar de que me lembro até hoje. A face do velho era carregada de uma tranquilidade infinita. Um olhar de mormaço, de olhos opacos de velho, mas vivo como se tivesse vinte anos. Fiquei inquieto; na hora pensei que se tratava de um conhecido mas nos próximos minutos e horas, não conseguia me lembrar de quem se tratava. Assim fiquei a tarde toda. Em casa, comentei com meu pai que me disse ter passado por experiência idêntica.
" -Há muitos anos atrás, no Rio, fui a um comício de candidatos a Presidência. Fiquei próximo ao palanque, e de lá um homem me lançou um olhar firme e terno. Perguntei ao vizinho quem era aquele homem". Alguem respondeu:
" - Aquele é Luis Carlos Prestes!"
Fiquei abestado até à noite quando o noticiário da TV me fez cair a ficha. Naquela manhã havia chegado à Salvador, " o Cavaleiro da Esperança" para participar de um evento qualquer. Na TV, vi o Opala preto e dele saltava o homem velho que a multidão esperava. E eu, de lá, da esquina do Adamastor, fiquei com a lembrança daquele olhar.
foto da web, de luis carlos prestes. autor não identificado.

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas