terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Sal de Maria e Mabel


Não vou porque estou enrolado no xale da doida aqui no interior. Quem está na Bahia, é de lei!!!
Tá rebocado quem não for!!!

domingo, 28 de setembro de 2008

Biboca

Vera chega em casa toda animada:-"vou ficar rica!". Ai, meu Deus, lá vamos nós.-"uma butique de verduras na Pituba, onde só tem madame com dinheiro". Junta-se com Cristina que também acha que vai ficar rica. Rodaram a Pituba atrás de um ponto, uma garagem.-"vai ter prateleiras" avisava uma, "podemos fazer delivery" concordava a outra. Os maridos começaram a se preocupar. Na época eu fazia formação em psicanálise e Gilson era o Diretor Médico do Hospital S. Rafael. Sem ponto em vista, tiveram a brilhante idéia de construir o empreendimento. Seria uma original barraca de madeira, num terreno baldio no final da rua ao lado do Apart Jardim de Alá, em frente ao edifício de Gilson e Cristina. "-Pertinho de casa" se animava a outra sócia. "-vai se chamar BIBOCA, não tem um ar de simples e chique?". Em dois dias a Biboca estava de pé, em tábuas sem lixar e coberta de eternite. Dava logo pra ver que não tinha pose de butique de madame, nem que fosse pra vender verdura! No esquema proposto, as sócias se revesavam no turno da manhã e adivinhem quem ficava à tarde? Eu e Gilson, sem direito sequer de discordar daquele negócio ( nos dois sentidos). Verduras adquiridas na CEASA, arrumadas nas prateleiras da Biboca, começa a venda. Eu levava a coleção de Freud pra estudar mas era interrompido a toda hora pelos clientes, 100% vindos da favela a cem metros dalí: " moço, me dá 2 real de pimenta". Eu metia as mãos em conchas e entragava o equivalente a 20 reais de vez, contanto que acabasse logo aquele estoque e a situação. Confesso que a competência delas não permitia que nenhuma das duas coisas acontecesse. Mas as vendas não aumentavam, a Biboca não acontecia. A solução era humilhante: promoção. Aquelas sacolas/redes de plasticos com: um ovo, dois quiabos, dois maxixes, dois gilós, um pedaço de abóbora, outro de repolho, uma cenoura, uma batata e ficavam as sacolinhas penduradas no frontispício da Biboca. " quero uma promoção", alguem da favela pedia e às vezes eu morria em outras dava vontade de matar as duas. Sempre que passava um carro eu me abaixava ( Gilson idem) com receio de ser um paciente. Via pela fresta do barraco o carro se afastar; às vezes vendia assim mesmo, abaixado, Freud na mão. Um dia a Biboca foi arrombada e roubada. Um saucero: choro e ranger de dentes das sócias, agora menos ricas. Claro que eu e Gilson fomos, em caravana com carro da polícia de sirene ligada, à Delegacia prestar queixa. Outro dia foram convocadas pelo dono do terreno ( houve uma denúncia de "alguém que está com inveja do nosso negócio" a desocupá-lo em 24 horas, sob pena de demolição. Compareceram as sócias no escritório do dono, o IAPSEB, representado por sua implacável diretora, Dra Ivete. Quando a secretária chamou na ante-sala pelas "invasoras", quase não acredita nas madames, uma de óculos de grife, a doutora, outra espevitada num tailleur de tweed, a psicóloga, ambas funcionárias graduadas da Secretaria da Saúde, conforme se apresentaram. Foram expulsas do terreno alheio, a despeito dos argumentos choramingados de Cristina de que " a senhora não acha que tantos anos de contribuição ao IAPSEB não nos daria este direito?" Foram expulsas de lá e em 24 horas a Biboca estava no chão. Para sempre, espero.

OOOlha a batatinha!!!



Minha mulher vive pensando numa maneira de ganhar dinheiro. Da página de uma revista, um anuncio botou cifrão nos olhos: carrinho de batata frita. Diz pra mim toda animada que "com isto fico rica!". Mandou buscar no Rio Grande do Sul, trocou o carro por uma caminhonete pra carregar o trambolho. A esta altura eu ainda não desconfiava de nada, quero dizer, da minha inserção nos negócios dela. Vale lembrar logo que naquele momento eu estava com minha mão direita engessada por uma fratura. Chega a encomenda e o troço -doravante será chamado assim- é armado na sala do apartamento para o treino da fabricação. Um carrinho do tamanho de uma barraca, com toldo, bujão de gás, tacho, saco de batata de 60 kg, lata de óleo, saquinho de papel. Tudo foi armado, como se estivesse na praia. Na sala. No que o óleo começou a ferver, seguindo as instruções do manual, carrega-se o saco, joga-se as batatas dentro do troço, gira um outro, que sai cortando as ditas em tirinhas e cai no tacho. Pensem na fumaça dentro do apartamento. E o carrinho se treme com o movimento do cortador de batata. Um inferno. Vera sempre pronta a se defender pela idéia: " na praia vai ser melhor". Desarma-se aquela merda toda.
Domingo, 8 horas, carrego a caminhonete com o troço e todos os apetrechos (com dois sacos de batatas, a espectativa era enorme!), paro a caminhonete na praia mais movimentada da Bahia: Piatã dos caminhoneiros! Mão quebrada, um sol abrasador, empurrar o carrinho na areia fofa, disputar o ponto com outros colegas ambulantes, "ooolha a batatinha!!"...Juro que me preocupei mais em me esconder atrás dos coqueiros; morria de medo de me bater com meus pacientes. Vera também é médica.
16:h - mão inchada, cabeça idem, saldo da venda: 8 saquinhos de batata frita a $0,50 cada. Nova defesa da fábrica de fazer fortuna: " na praia não é bom, melhor em porta de escola". Fugi desta nova empreitada logo que a porta da Ebec da Pituba foi a escolhida. Com um assessor oligofrênico arranjado num posto de gasolina, ela foi e eu não. Fui trabalhar- meu trabalho não envolve tantos riscos! De lá, logo recebo um telefonema da empresária de batatas, aos gritos, que estava havendo problema com ela e o carrinho de batatas. Corri prá lá a tempo de ver a baixaria: a baiana do acarajé rodou a própria e chamou a polícia pra prender a mulher que queria roubar o ponto que ela mantinha há 20 anos na porta da escola.
Ali se deu o fim do sonho de ficar rica vendendo batata frita. Mas não terminou meu suplício, aguardem a próxima idéia dela.
Em tempo: ela conseguiu vender o carrinho por um preço maior do que comprou. Mas não pagou minha indenização por perdas e danos.


foto do sitio do mercado livre

sábado, 27 de setembro de 2008

Cosme,Damião, Kiko e Cocô.



Acordei com o pensamento em Cosminho. Além do aniversário de meu sobrinho Kiko e da prima Maria Cocô, junto com as juninas, é a festa que mais tem a cara do interior. Gosto muito. Caruru, Cariru, Caruréu, não importa como chamem, muda pouco por região. Só não suporto o tal do purê de abóbora; pra mim é que nem botar caruru em acarajé. Pode ser ignorância minha mas só acho que seja certo o que aprendi no meu interior - (só como aipim com manteiga e açúcar, chamo bodoque de badogue e uso por que de no lugar de por causa): caruru, vatapá, efó, farofa de dendê, arroz de auçá, xinxim de galinha, feijão fradinho e pipoca. Pode servir um pouco de cana de rolete, cortada. Hoje me empanturrei, só como caruru nesta época. Altas gofadas de dendê, é ótimo.


Pois bem: Kiko é filho de EDUARDO, meu irmão que foi assassinado no ano passado e ainda não tive a coragem suficiente de postar algo sobre; é um homem com alma de menino e o nome pesado do avô: Carmilton. Ficou Kiko. Mais um filho que ganhei.


Maria Cocô é o apelido mais que carinhoso de Maria Paternostro, de nome tão lindo e apelido que insisto em manter. Minha irmãzinha. Deve ficar puta porque abri seu apelido para o mundo( se metade dos leitores de Maria Sampaio lerem meus posts, Cocô tá ferrada!).


E para fazer a melhor homenagem aos meninos santos e não santos, achei da artesã Dinorah Oliveira, a senhora das pequenas coisas, que é a mãe de Edu ( Monólogos na Madrugada), este belíssimo trabalho para Missa Pedida para Cosme e Damião. Não conheço coisa mais bonita que um trabalho desse. É a cara do meu interior.
foto de edu o.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Por falar em Roma...


Chegamos em Roma de trem, vindos do Aeroporto Leonardo da Vinci, o da unha encravada. Desembarcamos na Estação Termini e corremos, literalmente, para o Hotel Coliseum ali pertinho, com Juvita voando atrás do carregador disparado que segundo ela, estava roubando nossas malas. Eu nunca vi uma chegada daquela. Tudo conspirava para um desastre. Chegamos à noite e do terraço do hotel assistimos a movimentação da sexta-feira santa no Coliseum, com João Paulo II e tudo. Nem dava pra sair porque Juvita estava morta.

Pausa para explicação: além de Vera, viajaram conosco minha irmã Mena, minha sogra Juvita e minha tia Naju. Nem digo qual mas a mais nova tinha quase setenta.

Na primeira manhã, depois do banho descemos para esperar as meninas para o café. Elas não davam um peido sem que eu e Vera estivessemos junto pra cheirar; só sabiam dizer buon giorno. Mas não sabiam pedir café. Todas desceram menos Mena. Ela é assim: demora pra caralho para se arrumar. No meio do papo, entre nós e o balcão da recepção, passa aquela coisa pequenininha feito um raio, mal dando pra distinguir "o que" era. Era Mena, o raio. Passou lotada por nós, atravessou a porta de vidro como se não existisse porta e saiu quase nua para o frio de 2 graus e quando me levantei ela já entrava de volta no hotel agarrada, abraçada, lívida, à sua pochete. Sabe aquelas pochetes de viagem que todo ladrão sabe que está debaixo da roupa? Estava nos peitos de Carmeninha, agora voltando a cor aos poucos.

O que foi aquilo?

-"depois do banho, resolvi limpar a pochete; segura na mão esquerda, com a direita dei a passar a escova de cabelo, na janela, admirando a vista. Na terceira escovada a pochete voou. Só tive tempo de olhar meus dólares, liras e o passaporte caindo, caindo e esperei só o tempo de saber se caía na marquise ou na rua. Caiu na rua, entre dois carros. Desci os cinco andares de três em três degraus, nos ultimos pulei cinco, voei pela porta a fora mas consegui. Ai meu Deus!
Por que vocês estão com tanta roupa de frio?"

Antes do final da viagem, ainda caiu na banheira e quebrou uma costela.


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O italiano capenga


Unha encravada: prefiro morrer rápido! Sofro desta peste há séculos. No momento de maior desespero um colega me convenceu, ô arrependimento, a operar. Anestesia é injeção e injeção no canto da unha, até prova em contrário, é tortura. E torturador deve morrer! Morra, Genésio! No outro dia, o que era um dedão anestesiado passou a ser uma perna a ser arrancada, de tanta dor! Eu sou frouxo pra dor, confesso. O pé ficou no colo, ninado como um bebê inchado e era assoprado como se tivesse asma. São dores que não se esquece. Pouco tempo depois, encravou de novo. Genésio, nem pensar, eu o matei lembram? Todo o processo outra vez mas agora ninguém me pega no bisturi. Infeccionou. O dedão ficou como a cabeça de uma tartaruga atingida por uma hélice. Pior, a oito dias de viajar pra Itália. Só que esta viagem era esperada há quarenta e tantos anos, para conhecer a cidade que minha avó nasceu. Fantasiava minha chegada à Roma, minha segunda pátria, eu quase um italiano. O dedão tinha de se aguentar. Algumas providências foram tomadas: antibióticos, antinflamatórios, alpercatas abertas e macias. Diminuiu mas não curou. A tartaruga agora parecia atingida por um remo. Desembarque em Fiumicino, mil dificuldades: troca dinheiro, carrega as malas, pede informação e não se entende a resposta. Sou mais brasileiro do que pensava e os italianos não me deram a importância que eu esperava. Vera, Mena, Naju e Juvita esperando tanto de mim e de repente, a traulitada! dei uma porrada com o dedão, claro que tinha de ser o encravado, no carrinho cheio de malas. O sangue compareceu na hora! Fiquei ali mesmo, no chão, acalentando o pé, à beira da morte! Berrava, esperneava, as meninas ficaram catatônitas e ninguem entendia que eu queria um simples curativo. Me salvou, mais uma vez, minha irmãzinha: ela o sacou da bolsa e assim fiz minha entrada na Itália: mancando e com um absorvente higiênico Care Free amarrado de barbante no dedão. Me fudi mas não perdi a pose.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Iara


A mãe escreveu sob a foto:
-...num doce balanço
a caminho do mar!


EU GRITO:

SERÁ QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO
ESTA MENINA SOZINHA NA PRAIA ???!!!!!



iara no morro, 08/08: foto de maira

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas