terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Exu


Chegou quem faltava. Depois de Antonio e Buda, baixou lá em casa o Exu, debaixo do pé de canela, entre o portão e a varanda, protegendo o caminho: Exu Baraketu. Em ferro, de sucata e de pau duro apontado pra frente, armas na mão, firme e vigilante, atento. Ontem mesmo, uma dessas pessoas chatas que não tem melhor o que fazer e fica de casa em casa com conversa mole de que "meu deus é melhor que o seu", se deparou com o Exu Lonan, se benzeu três vezes e escafedeu-se para nunca mais ( espero ) voltar.
Exu já mostrou pra que veio. Laroyê!

foto de bernardo em 11.12.10

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Jango




- Babaca, onde você está?
- Em Valença
- Onde, exatamente?
- Na Praça da República, indo almoçar, por que?
- Estou na baía de Camamu e em dez minutos passo por aí pra falar com você. Que camisa você está?
- Amarela.
- Fique ao lado da fonte luminosa.

Sentei num banco debaixo de um flamboyant e não esperei muito. O ronco do motor surgiu junto com ele, vindo do sul. Corri pra junto da fonte, mãos sobre os olhos e ele deu duas voltas, baixinho sobre a praça, balançando as asas do pequeno avião. Abri os braços em acenos largos, rodando como se ele estivesse preso a mim, e falando baixinho: meudeus...não fique tão baixo...sai daí, urubu...vai filho, já deu, sobe, sobe...Um menino se aproximou e perguntou se ele ia pousar e eu respondi apenas que era meu filho, era o que eu queria responder.
Depois fiquei imaginando o que as pessoas que cruzam a praça todo tempo deve ter pensado ao me ver ali rodando, olhando pra cima e dando adeus. Não importa, sei que eles não viram os olhos mareados...




foto do site cessna

As 7 Pragas - 1

Das pragas do mundo moderno, começo a enumerar pelo ritmo (?) ARROCHA. É evidente que muitos não vão concordar comigo, mas as pragas são minhas, e boto na lista o que eu quiser.
Já vi de tudo nesta vida, eu que nasci no início dos anos 50. Angela Maria, Cauby Peixoto e Nelson Gonçalves com seus bolerões arrebatadores. Elizete Cardoso e Agostinho dos Santos arrasando com o samba-canção; depois chegaram os das vozes miudas e mudaram a musica popular brasileira, eram os cantores da Bossa Nova. Em seguida, os Tropicalistas ( nesta época, a minha geração pegou fogo, quase que literalmente!) e por fim as bandas de rock dos '80. Ia tudo muito bom, tudo muito bem, até que a boa terra deixou de inspirar como havia feito com Caymmi, João Gilberto e Caetano e passou a produzir uma musica chamada de baiana. Aos apressados, aviso logo que tem muita gente fazendo uma musica de qualidade aqui na Bahia - Viva Jussara Silveira, Viva Jota Veloso!-, e que não é, graçasadeus, conhecida como musica baiana. Mas por outro lado, a terra pariu excrescências com a Oxente music e a famigerada ARROCHA, motivo deste texto. Aquela, que se dividiu em pagodinho e axé e esta, que se transformou na praga da transição dos séculos. E este é o meu medo, que se trnsformem em seculares. Aquela, rainha absoluta das rádios populares, que dominam e determinam o gosto musical popular. Esta, reina imbatível nas festinhas, principalmente no interior. Seus cantores, se não ficam milionários, ostentam apelidos sugestivos como Ciganos e Morenos e Reis e Rainhas, além de ônibus personalizados e bandas com dançarinas que sabem como ninguem balançar as bundas. São, como toda praga que se preze, para isso que existem: se espalhar, contaminar.
A foto que ilustra este texto mostra Maicon, de camisa branca, ensinando (ou transmitindo, contaminando ) o Arrocha a Marlon, seu primo tímido, que por sua vez tambem se transformará em um vetor. Parece que já estou vendo no futuro: "Marlon, o vetor do Arrocha!"
foto de marcos ferreira.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Buzu do Alemão



Maicon me mandou a foto acima com um bilhetinho:
-"dotô:
encontrei este buzu na zona rural. Repare o que está escrito na bandêra, tô disconfiado que ele deu fuga pra galera do Alemão. O sinhô pode falar com o capitão Nacimento? o sinhô conhece tanta gente..."


foto do celular de maicon, zona rural de valença, em novembro de 10.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Maicon, o pintor


Maicon faz bico, cada dia uma coisa, o que aparecer. Esta semana atacou de pintor de placas. A primeira que fez, correu pra me mostrar. E explicar. Não convencido, fui ao local ver para crer e fotografei para que todos vissem e pudessem crer do que é capaz o curiboca nacional.


- " O sitio do cara fica na direção da seta da placa, pra esquerda, mas quem chega, vai ter de ler da direita para a esquerda, na direção certa. Se eu não fizesse assim, ia confundir a cabeça das pessoas."


Então tá. E juro por tudo que me é sagrado que a foto não está invertida.


foto de bernardo, em nov.2010. valença, zona rural.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Maicon, o curiboca


A casa.


Maicon existe; até hoje pensava que fosse fruto de minha imaginação, mas ele é de carne e osso. Nasceu em 1983 e mora no interior. O pai é pintor e a mãe, evangélica, dá banca. Não tem namorada certa e anda mais com os meninos de sua idade. Está na escola há séculos e deve lá permanecer por outros tantos; a mãe acha que ele tem poblema, não consegue gravar as lições. Anda de farda: de dia usa sandália havaiana e à noite, joga um tenis, bermuda estampada, camisa regata e boné, de dia com a aba pra frente e à noite, joga pra trás e pro lado. A-do-ra arrocha e vai longe atrás de uma festa; levou anos asssoviando o rebolation, mesmo quando todo mundo ( os que gostavam) já não suportavam mais. Maicon faz uns bicos pra manter a farda mais ou menos em dias. Tem uma volta no pescoço, só a volta, sem nada pendurado. Fala uma gíria do seu tempo e está mais ou menos inteirado; votou em Plínio pra Presidente ( -se ligue, o cara vai mudar tudo!). De vez em quando tem umas idéias pra dar um trampo e às vezes se dá mal. No momento, está lavando carro; lava bem pra cacete.

O pai de Maicon é pintor e a mãe, evangélica, dá banca. A foto que ilustra a apresentação de Maicon Conceição dos Santos, é da casa da familia.
Clique na foto para ler melhor, se for o caso.


foto da casa de maicon, de bernardo, em 17.11.10

domingo, 7 de novembro de 2010

Vovô, II


Só mesmo esta notícia poderia me fazer voltar a escrever, depois de um longo e tenebroso período de prisão de ventre mental:

VOU SER AVÔ mais uma vez!

Desta vez, quem me traz a felicidade é Lua, com a participação decisiva de Edu, el comandante!
foto dos meninos em olinda, set.2010, certamente por um transeunte, a pedido.

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas