
Das pragas do mundo moderno, começo a enumerar pelo ritmo (?) ARROCHA. É evidente que muitos não vão concordar comigo, mas as pragas são minhas, e boto na lista o que eu quiser.
Já vi de tudo nesta vida, eu que nasci no início dos anos 50. Angela Maria, Cauby Peixoto e Nelson Gonçalves com seus bolerões arrebatadores. Elizete Cardoso e Agostinho dos Santos arrasando com o samba-canção; depois chegaram os das vozes miudas e mudaram a musica popular brasileira, eram os cantores da Bossa Nova. Em seguida, os Tropicalistas ( nesta época, a minha geração pegou fogo, quase que literalmente!) e por fim as bandas de rock dos '80. Ia tudo muito bom, tudo muito bem, até que a boa terra deixou de inspirar como havia feito com Caymmi, João Gilberto e Caetano e passou a produzir uma musica chamada de baiana. Aos apressados, aviso logo que tem muita gente fazendo uma musica de qualidade aqui na Bahia - Viva Jussara Silveira, Viva Jota Veloso!-, e que não é, graçasadeus, conhecida como
musica baiana. Mas por outro lado, a terra pariu excrescências com a
Oxente music e a famigerada ARROCHA, motivo deste texto. Aquela, que se dividiu em pagodinho e axé e esta, que se transformou na praga da transição dos séculos. E este é o meu medo, que se trnsformem em seculares. Aquela, rainha absoluta das rádios populares, que dominam e determinam o gosto musical popular. Esta, reina imbatível nas festinhas, principalmente no interior. Seus cantores, se não ficam milionários, ostentam apelidos sugestivos como Ciganos e Morenos e Reis e Rainhas, além de ônibus personalizados e bandas com dançarinas que sabem como ninguem balançar as bundas. São, como toda praga que se preze, para isso que existem: se espalhar, contaminar.
A foto que ilustra este texto mostra Maicon, de camisa branca, ensinando (ou transmitindo, contaminando ) o Arrocha a Marlon, seu primo tímido, que por sua vez tambem se transformará em um vetor. Parece que já estou vendo no futuro: "Marlon, o vetor do Arrocha!"
foto de marcos ferreira.