terça-feira, 20 de abril de 2010

A palavra é: IV


PUSILÂNIME


Esta é para encerrar esta fase sobre as palavras, escrita por Martha


Sempre soube que se trata de um inseto, muito parecido com o vagalume, porque sabe acender a bunda. Mas difere deste por ser extremamente voraz, violento e sádico, um predador terrível. De hábitos noturnos, só enxerga quando acende o fiofó. A natureza, sabiamente, habilitou-o a acender-se de forma intermitente: acende, apaga, acende, apaga. Este inseto horroroso tem olhos rudimentares e só enxerga quando acende, por isso, tem uma espécie de galo na cabeça, de tanto se bater nas coisas quando a lanterna do furico se apaga.


foto em animatoons.com.br

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A palavra é: III


ARROSTAR

Esta vem das Alagoas, Maceió, das mãos de Jana. Penso Assim:

Arrotar alto e prolongado, após ingestão de arroz. Sem cor, mas tem odor azedo, insuportável. Não confundir com ARRESTAR que é uma condição muito própria dos fumantes com enfisema em grau avançado, quer dizer, quando um fumante está arrestado, está é quase morto.
E Ricardo Dib me provoca: o que me diz de
HEBDOMADÁRIO
Esta é fácil por ser tão óbvia. A palavra é amarela, tem som rouco e mau hálito. Refere-se a uma espécie de camelo ( primo em terceiro grau ), velho, desdentado, mas extremamente assanhado. Ganhou este nome ( hebdomadarius camargus) em justíssima homenagem à velha -e não menos assanhada- dama da TV, a apresentadora Hebe.



gravura em naturezahumana.nireblog.com

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A palavra é: II



EXEGESE

Chorik entrou na minha viagem e me mandou esta acima. Pois bem, vamos lá.

Trata-se de uma cancela ou porteira, marrom, com som de cancela batedeira, cheiro de madeira velha com betume, que se abre apenas em uma direção: para fora.

A exegese da minha fazenda é mais bonita que a do vizinho. Aliás a dele nem é uma verdadeira exegese, já que se abre nos dois sentidos. Nem sei como se chama uma aberração daquela.


foto do flickr

A palavra é: I



O que lhe parece?


Palavras tem sempre um significado muito particular para mim, se não as conheço, e me lanço no dicionário para saber, mas antes fico viajando no que pode ser. Palavra pode ter cor, forma, som. A propósito da minha ultima postagem, Gerana sugeriu a seguinte palavra:
HODIERNO
Para mim quer dizer horroroso e moderno, quase óbvio. Me lembra um móvel de sala, uma cadeira estofada, laranja. Sem cheiro. Sem som. Se fosse uma animação, ela, a cadeira, estaria sorrindo, como o gato de Alice. Uma cadeira hodierna.

cadeira egg, de casadaidea.wordpress.com

terça-feira, 13 de abril de 2010

Palavras, palavras...


Você se depara com palavras que não tem a menor idéia do que seja o significado, finge que sabe até o dia em que a preguiça lhe manda correndo pro dicionário? E reparou que quando fica sabendo, a gente passa a usar com mais frequencia como para testar se os outros também sabem, e fica com aquela certeza: sabe nada, é que nem eu antes de saber! Algumas das minhas preferidas ( e já sabidas! ):
Iconoclasta
Misantropo
Aleivosia
Anacrônica
Ubiquidade
Depois me lembro de mais, porque não ando anotando estas coisas, tenho mais o que fazer.


gravura de: neuraurbana.wordpress.com

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quero meu silêncio!


Li em algum lugar ( fico puto quando não me lembro, culpa do alemão!) que a grande busca deste século seria pelo silêncio. Tomei um susto mas me convenci de imediato: silêncio e água parecem ser nossa tábua de salvação no mundo que se anuncia. Levei um tempo achando que era besteira ficarem falando que a água do Planeta está indo pelo ralo: água evapora e volta sempre, no entanto a ( péssima ) qualidade das águas me abriu os olhos. Não é exagero o que estão apregoando pelo mundo, pessoas sérias e estudos importantes. Já estou com minhas barbas no molho, de água reutilizada, naturalmente. E quanto ao silêncio, ou à falta de? Parece inatingível obter o silêncio necessário. Escrevi no meu perfil que vim para o interior em busca de silêncio. O problema é que nem aqui consigo mais achar. Parece irremediavelmente perdido. Acho que, proporcionalmente, as cidades do interior estão mais barulhentas que as grandes. Agora mesmo, estou aqui escrevendo por causa de uma merda de um carro de som que teima em me dizer coisas que não quero ouvir. Sem contar com os carros preparados para disputas em praça, lançando arrochas e rebolations pra todos os lados, fazendo meu ouvido de penico.

foto: diariodonordeste

sábado, 10 de abril de 2010

Chove, chuva.


Depois de longo e tenebroso verão, volta a chover. Chuva abençoada, que à vezes exagera. Ninguem merece alagamento, desmoronamento, queda de barreiras, mas a chuva é assim mesmo, não obedece a pedido nem promessa, por isso ela cai mais aqui, menos acolá; uns com tanto, outros com tão pouco. Vá entender A Força.
Fiquei chocado com as mortes pela chuva no Rio e Niteroi. Mas foi por causa dela mesmo? Por que bem ali ao lado daquele morro, a 100 metros, caiu a mesma quantidade de água e nem abalou Bangu?
Enquanto isso, me recolho na varanda para apreciar a tempestade. Sou absolutamente apaixonado por tempestade; quando criança, não tinha medo; crescido, caia no mar do Morro junto com o temporal, para desespero de minha mãe que forrava espelhos com medo de raio.
Hoje, egoista, seco e agasalhado, traço um acarajé só com camarão e olho pela janela. Está chovendo e eu, feliz com a chuva.
foto captada da web, sem crédito

xeudizer:

anotações livres, leves, soltas