
Depois de longo e tenebroso verão, volta a chover. Chuva abençoada, que à vezes exagera. Ninguem merece alagamento, desmoronamento, queda de barreiras, mas a chuva é assim mesmo, não obedece a pedido nem promessa, por isso ela cai mais aqui, menos acolá; uns com tanto, outros com tão pouco. Vá entender A Força.
Fiquei chocado com as mortes pela chuva no Rio e Niteroi. Mas foi por causa dela mesmo? Por que bem ali ao lado daquele morro, a 100 metros, caiu a mesma quantidade de água e nem abalou Bangu?
Enquanto isso, me recolho na varanda para apreciar a tempestade. Sou absolutamente apaixonado por tempestade; quando criança, não tinha medo; crescido, caia no mar do Morro junto com o temporal, para desespero de minha mãe que forrava espelhos com medo de raio.
Hoje, egoista, seco e agasalhado, traço um acarajé só com camarão e olho pela janela. Está chovendo e eu, feliz com a chuva.
foto captada da web, sem crédito



