
O Ferry se aproxima do atracadouro e a cena me chama a atenção: sexta-feira, quatro da tarde, o sol já frio, nas pedras dos fundos da Feira de S.Joaquim, três homens* e uma garrafa. Não tem areia, toalha, barraca, mulher, pagodinho, criança, cachorro, nada! Só os três homens e uma garrafa, provavelmente ou certamente de batida de limão. Estão de cuecas, nem aí. Uma camisa em rodilha sobre uma pedra segura a garrafa, o centro da farra. É uma cena improvável mas está lá. O Ferry berra seu apito de chegada. Olho em volta e percebo que ninguém vê a cena que só eu vejo e , claro, me calo como um comparsa dos farristas. É esta a idéia deles: estar invisíveis, tomar sua batidinha, dar uns mergulhos, um caldo no amigo, umas piadas de putaria, tirar o sal lá na barraca e ir pra casa felizes até serem interrogados pelas desconfiadas patroas que não engolem o bafo e, muito menos, as cuecas molhadas. Mas aí já foram felizes.
Me deu vontade de pular do ferry.
* só dois são vistos na foto; o terceiro foi mais rápido que eu e deu um mergulho espetacular.
foto de celular é phoda...fiz em 02/10/09