
Não dá pra não falar do carnaval.
Não sei falar do carnaval de hoje, porque não o frequento e não costumo falar de quem não conheço. Mas gostei muito da descrição que Marcus fez em seu blogue. Do que vejo pela TV, não gosto. É assim: paga-se pra entrar num bloco, ou num camarote. Há blocos que não vão pra rua porque não lhe pagam ( os governos, que anunciam quanto vão gastar). Tudo acontece em volta dos $$. À frente dos blocos, balões enormes propagandeiam alguma empresa. Na frente do trio, telões anunciam alguma coisa. Os camarotes avisam em placas quem lhes paga para existir. É "a força da grana que ergue e destrói coisas belas".
Não gosto de saudosismos e acho chato quem fica bradando que "no meu tempo era melhor". No meu tempo, foi melhor pra mim! nunca paguei porra nenhuma pra sair atrás de um trio e não custava nada botar cadeira na calçada, o primórdio dos camarotes. Meu abadá se chamava mortalha e custava uma merreca comprar tres metros de um tecido fubega na Feira dos Tecidos. Minha tia costurava o buraco pra enfiar a cabeça.
Ah, minto, a birita, a gente tinha de pagar, porque a que a gente levava de casa, consumia em meia hora. E o Cheirinho da Loló? Mena e Maria faziam litros em casa, com a vaquinha dos pipocas.
Outra diferença relevante é que, como éramos todos bem jovens, podíamos aguentar o tranco de começar a pular desde as oito da manhã. O pessoal de agora é mais sabido: só brinca de noite pra não sentir calor.
foto do poeta: www.simmm.gov.ba






